Produtos incomuns: Movimentação de meio bilhão de dólares por ano

29/05/2014

Qual a relação entre soja, café, minério de ferro, automóveis, pés de frango, focinho de porco, cera de abelha, própolis, edredom, torneiras e óleo de pau rosa? Todos fazem parte da pauta de exportações brasileira, os quatro primeiros no topo da lista e os demais integrando o bloco dos itens pouco conhecidos ou até inusitados.

Alguns estão virando vedetes, como é o caso dos pés de frango, cujas vendas, basicamente para a China, somam cerca de 200 mil toneladas e US$ 400 milhões por ano, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). As torneiras, que entram na Europa via Holanda, somaram US$ 455,3 milhões em 2013.


Segundo Ricardo Santin, vice-presidente da divisão de aves da ABPA, os pés de frango são tão valorizados pelos chineses que, de insumo para ração animal, eles tornaram-se mais caros no comércio externo do que coxas e sobrecoxas, chegando a US$ 2,5 mil por tonelada, em comparação a US$ 1,5 mil a tonelada de coxa.

Não são só os pés: os japoneses compram a cartilagem do peito do frango para fazer um espetinho chamado Yegen. Fazem também uma espécie de petisco com a cartilagem do joelho da ave. E em regiões da África, focinho de porco é uma iguaria. Santin calcula que esses e outros produtos desvalorizados no Brasil rendem mais de US$ 500 milhões por ano em exportações.

Mas há também uma gama de produtos promissores, como redes de dormir, edredons, própolis/cera de abelhas, óleo de pau rosa e tapioca, feitos, em geral, por pequenas empresas, que nem sempre conseguem sustentar mercados muitas vezes descobertos por acaso.

"O mercado é difícil e muitas empresas pequenas e médias entram e saem porque não conseguem um retorno que compense", explica Fábio Martins Faria, vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Ele lembra o caso de um tipo de descanso de cabeça para praia que um turista belga viu no Rio de Janeiro, gostou, encontrou o criador da peça e fez uma encomenda tão grande que foi necessária a construção de uma fábrica. O tempo passou, a moda passou e não há notícia da continuidade das vendas. Hoje, na internet, o que se vê é oferta de descanso de cabeça de origem chinesa.

"Para vender grandes volumes é preciso ter uma postura agressiva", diz Faria, acrescentando que o Brasil enfrenta um problema ainda mais complexo: o elevado custo de produção. Ainda assim, há nichos que cresceram e estão até em processo de sofisticação. A participação em feiras, com a ajuda da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

É o caso da própolis de abelhas, exportada em geral sob a nomenclatura de cera de abelhas (a opção, segundo explicou um exportador, é compatível e ajuda o importador a pagar menos imposto). A própolis é responsável pela quase totalidade dos US$ 7,31 milhões que o Brasil faturou no ano passado sob a denominação cera de abelhas, com aumento de 29% sobre os US$ 5,67 milhões vendidos em 2012.

Uma das principais integrantes da cadeia de exportadores da própolis é a Pharma Nectar, selecionada como uma das três finalistas ao 5º Prêmio Apex-Brasil de Excelência em Exportação na categoria micro e pequena empresa. Nascida em Belo Horizonte, no começo da década de 1980, a empresa entrou no mercado internacional vendendo abitoxina, mais conhecida como veneno de abelha, para indústrias farmacêuticas e de cosméticos. Segundo José Alexandre Silva de Abreu, diretor da empresa, a participação em feiras, como a Bio Brasil, ajudou a Pharma Nectar a se consolidar no mercado e aperfeiçoar seus recursos comerciais, como embalagens e design, e ao longo dos anos a própolis assumiu a condição de principal produto exportado, hoje com 60% das exportações, que em 2013 somaram US$ 2,5 milhões após ter alcançado US$ 3,2 milhões em 2011.

O turismo funcionou como porta de entrada no comércio exterior para o fabricante de redes cearense Antônio José Carvalho de Vasconcellos, dono da Redes Isaac Ltda. De acordo com ele, foram turistas franceses e alemães que compraram suas redes nas praias de Fortaleza e depois de aprovarem o produto fizeram contatos pelos dados que estavam nas etiquetas. No mercado externo desde 1989, a empresa chegou a exportar 300 mil redes por ano, principalmente para a Alemanha, até 2002, quando começou a sofrer com a concorrência da China e da Índia. Hoje exporta 120 mil unidades.

29/05/14 - Fonte: AviSite.
Imagem: China Photos/Getty Images.


Compartilhe